quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Cenário Político para 2019





Os artigos até então divulgados no blog foram conceituais e sobre a montagem de um sistema de escolha de ações, estritamente no campo da economia e dos investimentos. Neste artigo, vou ampliar um pouco o campo de visão para a política. Pois esses dois campos estão intrinsecamente ligados.
O governo Bolsonaro começou oficialmente em 1º de janeiro, mas desde a eleição a bolsa entrou em modo compra e vem atingindo sucessivos topos históricos, chegando a bater os 94 mil pontos. Já há expectativa de quando será o momento em que romperá a barreira dos 100 mil pontos. Mas esse otimismo é exagerado? O que o mercado está precificando?
O principal drive desse movimento é a guinada em direção a um governo liberal. É certo que o governo Temer ensaiou essa manobra, mas fatores como a delação do Joesley, a greve dos caminhoneiros e o fisiologismo do Congresso impediram ele de ir além. Mesmo assim, emplacou a reforma trabalhista e o teto de gastos. Isso já está embutido no Ibov, ao sair da mínima abaixo dos 40 mil pré-impeachment e ultrapassar os 80 mil até antes da eleição de 2018.
As reformas que o mercado espera e já precifica se iniciou. A montagem da equipe caminhou nesse sentido, sendo o Paulo Guedes o maior expoente dessa corrente. A diminuição da quantidade de ministérios também conta pontos. Mas o que percebemos é que o governo não tem um pensamento só, e parece que não combinaram o discurso. Há uma falha de comunicação e de alinhamento de interesses e objetivos. Isso pode ser um problema para encaminhar as reformas que pretendem aprovar no Congresso.
Outro fator importante é o capital político que já começou a ser "gasto", antes mesmo da posse. A promessa de que desta vez seria diferente começa a se evaporar, ao nomear ministros envolvidos em denúncias, a péssima condução do caso mal esclarecido do ex-assessor do filho e os recuos frequentes do presidente. A última é a decisão de apoiar a eleição do Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara, do DEM, partido que não podemos chamar de algo novo. O novo governo precisa descer do palanque, arregaçar as mangas e começar a trabalhar para entregar o que prometeu.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Montagem de Uma Carteira de Ações para Curto Prazo



No artigo Um Sistema para Swing Trade: Escolhendo Ações para Curto Prazo, mencionei os critérios para escolha de ações: volatilidade do ativo, avaliação do cenário macro, uso de stop inteligente, prazo máximo definido para o trade, definição do preço de entrada e saída e tamanho da posição. Mas, e quanto à carteira, quais as suas características? Vamos a elas agora:

1 - Quantidade de ativos na carteira -  constituir uma carteira de ações com até 8 ativos e não mais do que isso. Você não deve superconcentrar em 1 ou 2 ativos, pois se estiver errado, a perda é enorme, mas uma carteira excessivamente diversificada minimiza demais os lucros. Lembremos sempre de que as posições devem ter relevância, você tem que "ir na jugular", após fazer a análise e formar convicção sobre aquela aposta. Com muitos ativos na carteira, fica difícil acompanhar os comunicados, fatos relevantes, notícias sobre a empresa, sobre o setor ou de forma geral que afete aqueles ativos. Sim, você vai precisar fazer isso. É possível que algumas vezes, por falta de oportunidades, a carteira disponha somente de 2 ou 3 ativos, e boa parte do capital para trade aplicado em renda fixa com alta liquidez, à espera do momento certo para entrar. Isso não é superconcentração, pois o capital não está todo aplicado.

2 - Diversificação dos setores - escolher ativos de setores diversos visando a diversificação e ampliando a possibilidade de captar grandes valorizações de pelo menos um desses ativos, cujo ganho de capital supere as pequenas perdas em alguns e o benchmark utilizado como parâmetro (por exemplo, a renda fixa ou o CDI). O estudo deve ser comparativo, para escolha do melhor ativo do setor. O melhor aqui não é exatamente o que tem os melhores fundamentos, mas o que está com o melhor desconto em relação ao seu histórico. É mais uma questão de valuation do que de bons fundamentos. Não faz sentido, por exemplo, realizar um trade com Estácio e Ser Educacional ao mesmo tempo. Os fatos e drives que os afetam, em tese, são os mesmos. É preferível um reforço no mesmo ativo, caso o melhor cenário esteja se confirmando, isso se a posição ainda não estiver completa (12% a 15% do capital em cada trade, considerando no máximo 8 ativos).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Alguns Sites para Investidores




Todo investidor iniciante tem dificuldades de encontrar na imensidão da internet informações relevantes, tanto para o aprendizado, como para acompanhar as empresas de seu interesse. O intuito desse artigo é comentar sobre alguns sites mais relevantes.
Em primeiro lugar, o site da própria corretora em que o investidor tem conta, em geral, disponibiliza material educativo como aulas gratuitas, vídeo aulas sobre investimentos, boletins diários sobre o mercado etc. Vou mencionar 2 corretoras  nas quais tenho conta e que por isso conheço por experiência real o que elas podem oferecer.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Principais Indicadores Fundamentalistas


Nesse artigo, iremos discorrer sobre os principais indicadores fundamentalistas utilizados na análise e escolha de boas empresas, seja para aqueles que pretendem formar uma carteira previdenciária (buy and hold), seja para os investidores que querem comprar empresas descontadas e vendê-las no futuro, quando atingirem o valor intrínseco, que seria o valor real da empresa. Lembrando que esses indicadores não deverão ser considerados isoladamente. É necessário acompanhar uma cesta deles, abarcando aspectos como precificação, endividamento, solidez financeira etc.

Abaixo um link para download de uma planilha Excel, que auxiliará no acompanhamento dos indicadores e na composição de uma nota final para escolha de empresas. A planilha representa apenas uma ideia, que pode ser aprimorada com mais indicadores, pesos e parâmetros diferentes dos que foram utilizados. Bom proveito.


Indicadores de Precificação

1 - Índice Preço/Lucro (P/L) - é a divisão do preço de mercado da ação pelo lucro por ação. Esse número representa o prazo que o investidor terá que esperar para receber o valor investido. Digamos que a ação está custando 20 reais e o lucro por ação no último exercício foi de 4. O P/L dessa empresa é 5. Em cinco anos, o investidor receberá todo o valor investido na forma de lucro. Esclarecendo que esse lucro pode ter sido distribuído ou reaplicado na própria empresa. O resultado é o mesmo. Então, quanto menor for o P/L melhor. O máximo recomendado pelo papa do Value Investing, Benjamin Graham, no seu livro "Investidor Inteligente" seria um P/L de 15. Prudentemente, entendo no máximo 12. Se a empresa for de crescimento, aí podemos considerar como teto o recomendado pelo Graham.
Mais importante do que se ater a um único P/L da empresa, é analisar o histórico desse indicador e procurar comprar a ação quando esse indicador estiver na sua mínima histórica ou próximo disso, pois a empresa estará descontada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Um Sistema para Swing Trade: Escolhendo Ações para Curto Prazo


No artigo anterior, opinei sobre a melhor estratégia para 2019, diante do cenário indefinido e das incertezas: comprar ações para curto prazo (swing trade), diminuindo os riscos de posicionar-se em ativos por tempo prolongado. Mas quais ativos escolher e que critérios utilizar nessa escolha, de forma sistemática?

É necessário estabelecer regras claras para definir aqueles ativos que ficarão no radar para compras, bem como para definir em que momento entrar e sair. Enfim, elaborar um Sistema, com regras bem claras e não fugir dele.
O fator psicológico do investidor é muito importante nesses casos. A escolha pelo curto prazo favorece esse aspecto. É muito desgastante emocionalmente manter uma carteira que não performa bem por um longo período. Vem sempre à cabeça que esse investimento poderia ser liquidado e reinvestido em outras oportunidades que passam à porta toda semana. E ao deixar claro o prazo do investimento, o momento de entrar e sair, as regras que serão seguidas em cada caso, proporciona tranquilidade ao operador na escolha certa do ativo. Vamos a elas:

 1 - Volatilidade - o ativo a ser comprado precisa ter variações significativas nos preços em curto espaço de tempo. Muitas empresas têm ótimos fundamentos, pagam bons dividendos, mas o preço da ação pouco se movimenta. A tendência é que sejam alvo de investidores fundamentalistas de longo prazo e exatamente por isso, não são ativos para traders. Como avaliar se o ativo tem volatilidade? Pode-se utilizar o indicador "volatilidade histórica" acessível na maioria das ferramentas gráficas disponibilizadas pelas corretoras. Pode-se também fazer um cálculo mais simples: observar o preço mínimo e o preço máximo atingido pelo ativo nos últimos 180 dias e verificar a amplitude de variação. Exemplo: preço mínimo: 8 reais; preço máximo 9,20; amplitude de variação 15% (9,20/8 - 1). Entendo necessário mais de 30% de variação, para permitir trades, pois o investidor não irá conseguir captar todo o movimento, que terá como alvo pelo menos 10% de retorno em até 6 meses. Ideal que a escolha recaia sobre ativos que se movimentam bem mais do que isso.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Ações para 2019: Longo Prazo ou Trades Curtos?


Início de ano sempre fazemos uma análise dos aspectos da nossa vida que requerem mudanças e transformações. No campo do investimentos isso é ainda mais relevante. E o prazo de permanência com os ativos escolhidos é um dos principais fatores. Esse talvez seja o aspecto mais difícil ao escolher investir em ações.
             
No Brasil, cujas taxas de renda fixa ainda são muito altas para os padrões internacionais, o custo de oportunidade de um investimento ainda é significativo, mesmo com a queda da taxa SELIC no último ano.

Considerando esse fato, quanto maior a espera, maior deverá ser o ganho de capital + dividendos para superar o benchmark (CDI). Assim, ao escolher montar uma posição para longo prazo, esse fator deverá ser posto na conta. Digamos que um ativo seja adquirido para permanecer na carteira por pelo menos 2 anos. Durante esse período de 2 anos, deverá render mais do que 13,5% para superar o CDI atual. Mesmo considerando um dividend yield médio de 8%, o que para o momento não se encontra em muitos ativos, ainda precisaríamos de um retorno de ganho de capital (valorização do ativo) para empatar com a renda fixa.

Se a escolha for por trades curtos, esperando valorização de 10% ou um pouco mais, em prazos de até 6 meses, o retorno seria maior do que o custo de oportunidade do período, superando o benchmark com folga. Muitas vezes, ao comprar o ativo ao preço certo, em cerca de 3 meses pode-se atingir uma valorização que equivale a da renda fixa de mais de um ano. O segredo é o timing da entrada, comprando em suportes e vendendo nas resistências intermediárias. É necessário ter conhecimento de análise técnica, utilizando os gráficos, para decidir os pontos de entrada e saída. Outros fatores devem ser considerados, como o volume, a volatilidade histórica do ativo e outros indicadores, como os osciladores (Índice de Força Relativa, MACD, etc), para identificar se um ativo está sobrevendido ou sobrecomprado, as médias móveis e as bandas de Bollinger. Enfim, há um arsenal de ferramentas a serem estudadas para facilitar a escolha dos pontos de entrada e saída.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Montagem de Cenários para os Investimentos


Iniciada a trajetória em busca da independência financeira, o investidor decide em quais ativos alocar o seu capital. Para isso vai montando uma carteira composta de diversos ativos, seja de renda fixa, seja de renda variável.


Especialmente para aquele investidor em que o preço de entrada e saída é previamente definido no momento da aquisição do investimento em ações, caso do investidor fundamentalista de médio prazo que não tem intenção de "comprar e abraçar" (buy and hold), como também para os estrategistas para swing trade, de curto e curtíssimo prazo, o cenário macroeconômico do Brasil e do exterior é de suma importância para o sucesso, bem como outros fatores que influenciam na precificação dos ativos.

A dúvida que mais atormenta o investidor é a escolha do momento de sair do investimento. Quando da entrada, deve-se selecionar os preços-alvo de saída (pelo menos dois: máximo e intermediário), podendo haver até mais para os diversos cenários possíveis e em função do histórico da ação.

Ao comprar, traça-se o cenário esperado e o preço-alvo escolhido. Deve-se também escolher o preço-alvo acima desse, em caso de ocorrência de um fato positivo ligado à empresa ou à conjuntura como um todo que faça o ativo superar o preço inicialmente projetado. O mesmo ocorre para um cenário pior do que o esperado, quando há saída antecipada, sem ganhos ou até com pequenas perdas, quando as condições já não são as esperadas para o preço-alvo principal.

A dificuldade desse processo reside no fato de identificar corretamente o cenário de referência, se há fatos novos que justifiquem a espera por preço-alvo melhor ou se, ao contrário, o cenário de referência está tendendo a não se concretizar.
Para acompanhamento de toda essa carteira, faz-se necessária a montagem e o acompanhamento dos cenários possíveis para o médio e longo prazos.

Pressupõe-se como possível a configuração de pelo menos 3 cenários, um otimista, um intermediário e um pessimista. Deve-se descrever o que se espera de cada um deles, quais eventos devem ocorrer para confirmar ou não cada cenário e qual o resultado sobre cada ação que compõe a carteira vigente. Ressalta-se que na verdade a partir dos 3 cenários podem se configurar outros intermediários, com gradações diferentes dos 3 descritos como padrão.

Resumo - Montagem de cenários:

1 - Desenvolver pelo menos 3 cenários: otimista, intermediário e pessimista;

2 - Enumerar premissas macroeconômicas e específicas dos ativos da carteira ou no radar para compras;

3 - Elaborar planilha com os cenários e as premissas, valorar em termos de pontos, em caso de concretização;

4 - Totalizar a pontuação de cada cenário par identificar o que está se desenhando como mais provável.